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12 animais com visão noturna impressionante

Como gatos, corujas, jacarés e társios enxergam no escuro: os mecanismos por trás da visão noturna dos animais.

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Enxergar no escuro depende de três estratégias que podem aparecer combinadas. A primeira é aumentar a quantidade de luz que entra, com olhos maiores e pupilas mais abertas. A segunda é aproveitar melhor a luz captada, com mais bastonetes na retina. A terceira é reciclar a luz que sobra, usando uma camada refletora chamada tapetum lucidum.

Existe um preço: quase todos os animais desta lista abrem mão de nitidez e de percepção de cores. Visão noturna e visão colorida detalhada são objetivos que competem entre si dentro do mesmo olho.

A lista completa

Gato doméstico

Felis catus

Precisa de cerca de um sexto da luz que nós precisamos para enxergar. A pupila vertical abre numa faixa enorme, e o tapetum lucidum reflete a luz de volta pela retina, dando a cada fóton uma segunda chance — é isso que faz os olhos brilharem em fotos.

Coruja-buraqueira

Athene cunicularia

Corujas têm olhos tubulares fixos, o que aumenta a captação de luz mas obriga o animal a girar a cabeça para olhar de lado. Somando isso ao disco facial, que concentra som nos ouvidos, elas localizam presas mesmo na escuridão total.

Társio

gênero Tarsius

Tem os maiores olhos em relação ao corpo entre todos os mamíferos: cada globo ocular é maior que o próprio cérebro. Os olhos não giram nas órbitas, então ele compensa girando a cabeça quase 180 graus.

Jacaré-açu

Melanosuchus niger

O tapetum lucidum dele reflete luz vermelha, o que permite localizar dezenas de jacarés à noite com uma simples lanterna. Pesquisadores usam essa característica para fazer censos populacionais na Amazônia.

Bicho-preguiça e outros olhos com poucos cones

Bradypus variegatus

A preguiça tem visão fraca durante o dia por ter pouquíssimos cones, mas enxerga razoavelmente bem em baixa luminosidade. É um exemplo de olho especializado no crepúsculo, quando ela costuma se alimentar.

Camarão-mantis

ordem Stomatopoda

Com 12 a 16 tipos de fotorreceptores, enxerga ultravioleta e luz polarizada. Isso permite detectar presas transparentes em água escura, que seriam invisíveis para qualquer outro olho conhecido.

Morcego frugívoro

família Phyllostomidae

Ao contrário da lenda, morcegos enxergam bem. Espécies frugívoras têm retinas ricas em bastonetes e detectam contornos de árvores frutíferas em luminosidade baixíssima, sem precisar de ecolocalização para navegar.

Rena

Rangifer tarandus

Caso único: o tapetum lucidum muda de cor conforme a estação. Dourado no verão, azul no inverno ártico. O ajuste espalha mais luz dentro do olho durante os meses de escuridão contínua, aumentando a sensibilidade.

Cobra-cascavel

Crotalus durissus

Além dos olhos, tem fossetas loreais que detectam infravermelho. Ela literalmente enxerga o calor do corpo de um roedor na escuridão total, com resolução suficiente para acertar o bote.

Peixe-de-profundidade Macropinna

Macropinna microstoma

Tem a cabeça transparente e olhos tubulares que giram dentro dela. Isso permite olhar para cima em busca de silhuetas contra a luz fraca da superfície e depois girar para frente ao atacar.

Coruja-suindara

Tyto alba

Além da visão noturna, tem ouvidos assimétricos: um mais alto que o outro. A diferença mínima no tempo de chegada do som permite localizar um rato sob a neve ou a vegetação com precisão milimétrica.

Barata-do-deserto

Periplaneta americana

Pesquisas mostraram que alguns insetos noturnos conseguem detectar sinais visuais com menos de um fóton por fotorreceptor por segundo, somando informação de várias células ao longo do tempo. É visão em condições que a nossa retina considera escuridão absoluta.

O que essa lista ensina

Repare que a maioria das soluções da lista não envolve tecnologia biológica exótica, e sim ajustes de engenharia óptica: olhos maiores, pupilas mais abertas, mais bastonetes e reflexão interna.

Quem precisou ir além dos olhos acabou desenvolvendo sentidos alternativos, como as fossetas infravermelhas das cascavéis e a audição assimétrica das corujas. Na natureza, quando um sentido chega ao limite físico, outro assume.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

Por causa do tapetum lucidum, uma camada refletiva atrás da retina que devolve a luz não absorvida, dando aos fotorreceptores uma segunda chance de captá-la.

Em geral, muito pouco. A retina deles privilegia bastonetes, sensíveis à luz, em detrimento dos cones, responsáveis pelas cores. É uma troca inevitável.

Nossos olhos se adaptam ao escuro em cerca de 20 a 30 minutos, quando a rodopsina se regenera. Mas não temos tapetum lucidum, então o limite é bem mais baixo que o de gatos e corujas.

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