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Capivara: curiosidades, características e ficha completa

Maior roedor vivo do planeta, a capivara virou símbolo de convivência: ela come capim, mergulha para escapar de predadores e aceita a companhia de praticamente qualquer bicho.

Hydrochoerus hydrochaeris 4 min de leitura 12 curiosidades Pouco preocupante

A capivara conquistou a internet por parecer sempre calma, mas por trás da cara tranquila existe um animal extremamente bem adaptado. Ela é o maior roedor vivo do mundo, pesa o mesmo que um ser humano adulto de porte médio e resolveu um problema difícil: viver na fronteira entre a terra e a água, aproveitando o melhor dos dois ambientes.

Olhos, orelhas e narinas ficam alinhados no alto da cabeça. Isso permite que ela flutue quase submersa, respirando e vigiando o entorno enquanto o resto do corpo permanece escondido. É a mesma solução anatômica que jacarés e hipopótamos encontraram, mas em um roedor de pastagem.

Um mergulhador de cinco minutos

A capivara tem membranas parciais entre os dedos, pelo áspero que escorre água rapidamente e capacidade de reduzir os batimentos cardíacos ao mergulhar. Ela consegue ficar submersa por cerca de cinco minutos e, em situação de perigo, permanece com apenas as narinas para fora, quase invisível entre as plantas aquáticas.

A água é a principal rota de fuga. Quando um grupo detecta uma onça ou uma matilha de cães, o alarme é dado por um latido curto e todos correm na direção do rio. Também é comum que durmam parcialmente na água nas horas mais quentes do dia, já que as capivaras não suam da forma eficiente que um cavalo ou um humano suam.

Dentes que nunca param de crescer

Como todo roedor, a capivara tem incisivos de crescimento contínuo. Se ela parasse de roer, os dentes cresceriam até impedir a alimentação. O desgaste vem do capim, que é abrasivo por conter sílica, e dos molares, que também crescem a vida inteira.

A dieta é quase exclusivamente vegetal e bastante seletiva: um grupo pode ignorar dezenas de gramíneas e concentrar o pastejo em três ou quatro espécies mais nutritivas. Um adulto consome entre 3 e 4 kg de vegetação por dia.

  • Os incisivos crescem cerca de 1 a 2 mm por semana ao longo de toda a vida.
  • Elas praticam cecotrofia: reingerem parte das próprias fezes pela manhã para aproveitar proteínas e vitaminas produzidas pelas bactérias intestinais.
  • O estômago é simples, mas o ceco funciona como um tanque de fermentação, semelhante ao de um cavalo.
  • Em pastagens degradadas, capivaras ajudam a espalhar sementes pelas fezes.

Vida em grupo e hierarquia

Capivaras vivem em grupos que variam de 10 a 20 indivíduos, podendo chegar a 40 na seca, quando se concentram perto das poucas fontes de água. Há um macho dominante, várias fêmeas, filhotes e machos subordinados, que são tolerados desde que respeitem a hierarquia.

A comunicação é sofisticada para um roedor: existem assobios de alerta, grunhidos de contato, ranger de dentes em disputas e vocalizações agudas dos filhotes. As fêmeas do grupo amamentam filhotes que não são seus, um comportamento chamado de amamentação comunitária, que aumenta a taxa de sobrevivência das ninhadas.

Capivara e cidade: uma convivência delicada

Parques urbanos, campi universitários e margens de represas viraram refúgios para capivaras, porque oferecem capim abundante e nenhum predador natural. O problema é que populações muito densas favorecem a proliferação do carrapato-estrela, vetor da febre maculosa brasileira.

É importante entender a relação com precisão: a capivara não transmite a doença diretamente. Ela é hospedeira do carrapato, que pode carregar a bactéria Rickettsia rickettsii. O manejo correto envolve controle populacional, manutenção de predadores naturais e, principalmente, orientação para que ninguém alimente os animais.

Capivara comparada a outros roedores
EspéciePeso médioOnde vive
Capivara50 kgAmérica do Sul
Castor-europeu20 kgEuropa e Ásia
Paca8 kgAmérica Latina
Cutia3 kgAmérica do Sul
Rato-doméstico0,3 kgMundo todo

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12 curiosidades sobre capivara

Reunimos abaixo os fatos mais surpreendentes sobre a espécie, todos checados em fontes científicas e de instituições de conservação.

  1. O nome científico Hydrochoerus hydrochaeris significa, literalmente, “porco d'água”, embora ela não tenha parentesco algum com porcos.
  2. Capivaras conseguem dormir dentro d'água, com o focinho apoiado na margem.
  3. Filhotes começam a comer capim com apenas uma semana de vida, mas continuam mamando por cerca de três meses.
  4. A gestação dura em média 150 dias e nascem de 2 a 8 filhotes por ninhada.
  5. Elas têm uma glândula no topo do focinho, chamada morrilho, usada pelos machos para marcar território.
  6. São capazes de correr a 35 km/h, velocidade suficiente para acompanhar um ciclista amador.
  7. No Japão, banhos termais com capivaras se tornaram atração turística porque elas relaxam visivelmente na água quente.
  8. Aves como o quero-quero e o anu-preto pousam sobre capivaras para comer carrapatos e insetos.
  9. Capivaras são excelentes indicadoras de qualidade ambiental: elas dependem de água limpa e vegetação nas margens.
  10. O grito de alarme é um latido curto, parecido com o de um cachorro pequeno.
  11. Elas fazem parte da dieta de onças-pintadas, sucuris e jacarés — são presa central de vários predadores brasileiros.
  12. O maior exemplar documentado ultrapassou 90 kg, quase o dobro da média da espécie.

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Dúvidas comuns

Perguntas frequentes sobre capivara

Não. É uma espécie da fauna silvestre brasileira e sua criação depende de autorização de órgãos ambientais. Além disso, capivaras precisam de água, grupo social e área de pastagem — nada disso cabe em uma casa.

Não diretamente. Ela hospeda o carrapato-estrela, que pode estar infectado pela bactéria causadora da doença. Em áreas com muitas capivaras, o cuidado deve ser com o carrapato, não com o animal.

Ela é herbívora, não territorial em relação a outras espécies e vive em grupo. Como não tem motivo para competir nem para atacar, tolera a presença de aves, jacarés, macacos e até gatos sem demonstrar estresse.

Cerca de cinco minutos em situação de fuga. No dia a dia, mergulhos curtos de 30 segundos a 1 minuto são muito mais comuns.

Sim. Ambos pertencem à subordem Caviomorpha, o grupo dos roedores sul-americanos. A capivara é, essencialmente, um primo gigante do porquinho-da-índia.

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