A regra geral da biologia diz que animais maiores vivem mais e que metabolismo acelerado encurta a vida. A lista abaixo confirma parte disso e quebra o resto: há moluscos pequenos que passam dos 500 anos e mamíferos gigantes que não chegam aos 100.
O que os campeões de longevidade costumam ter em comum é metabolismo lento, água fria, poucos predadores naturais e mecanismos eficientes de reparo celular.
A lista completa
Esponja-do-mar do Antártico
classe Hexactinellida
Estimativas apontam que algumas esponjas de vidro antárticas ultrapassam 10 mil anos, o que as tornaria os animais mais longevos conhecidos. Elas crescem alguns milímetros por século em água próxima do ponto de congelamento.
Ameijoa-do-oceano
Arctica islandica
O indivíduo apelidado de Ming foi coletado em 2006 e teve a idade estimada em 507 anos pela contagem de anéis da concha. Ele nasceu quando a dinastia Ming ainda governava a China — e morreu ao ser aberto para o estudo.
Tubarão-da-groenlândia
Somniosus microcephalus
Datação por radiocarbono no cristalino indicou indivíduos com cerca de 272 anos, possivelmente até 400. Ele nada devagar em água a menos de 4 °C e só atinge a maturidade sexual por volta dos 150 anos.
Tartaruga-gigante-de-galápagos
Chelonoidis niger
Vive rotineiramente mais de 150 anos. A tartaruga Harriet, que teria sido coletada por Charles Darwin, morreu em 2006 com idade estimada em 175 anos. O metabolismo lento e a ausência de predadores explicam a longevidade.
Baleia-da-groenlândia
Balaena mysticetus
O mamífero mais longevo conhecido, com registros acima de 200 anos. Pontas de arpões do século XIX foram encontradas em indivíduos capturados recentemente. Seu genoma tem variantes ligadas a reparo de DNA e resistência ao câncer.
Carpa koi
Cyprinus rubrofuscus
A koi Hanako, no Japão, teria vivido 226 anos segundo análise dos anéis de suas escamas. O caso é debatido, mas exemplares acima de 50 anos são bem documentados e passam de geração em geração nas famílias.
Ouriço-do-mar-vermelho
Mesocentrotus franciscanus
Pode passar de 200 anos sem apresentar sinais de envelhecimento: indivíduos velhos continuam se reproduzindo com a mesma eficiência dos jovens. É um dos modelos mais estudados de senescência desprezível.
Tuatara
Sphenodon punctatus
Réptil da Nova Zelândia, único sobrevivente de uma ordem que existe há 200 milhões de anos. Vive mais de 100 anos e continua se reproduzindo na velhice: um macho chamado Henry virou pai aos 111.
Água-viva-imortal
Turritopsis dohrnii
Tecnicamente não envelhece: sob estresse, reverte as células adultas ao estágio de pólipo e recomeça o ciclo. Não é imunidade à morte, já que continua sendo comida por predadores, mas é uma exceção real à regra do envelhecimento.
Arara-azul e outros psitacídeos
Anodorhynchus hyacinthinus
Araras e papagaios estão entre as aves mais longevas. Registros confiáveis passam de 60 anos, e há casos de cacatuas com mais de 80. A longevidade excepcional em aves está ligada a defesas antioxidantes muito eficientes.
Enguia-europeia
Anguilla anguilla
Uma enguia chamada Åle, mantida em um poço na Suécia desde 1859, teria morrido em 2014, com cerca de 155 anos. Em ambiente natural, elas vivem bem menos, mas o caso mostra o potencial da espécie.
Tubarão-baleia
Rhincodon typus
Estimativas por radiocarbono nas vértebras indicam entre 80 e 130 anos. A maturidade sexual só chega perto dos 30, o que torna a espécie muito vulnerável à perda de adultos.
O que essa lista ensina
Água fria aparece na maioria dos casos, e não é coincidência: temperaturas baixas reduzem a taxa metabólica e o dano oxidativo acumulado. É por isso que tantos recordistas vivem no Ártico, na Antártica ou nas profundezas.
A pesquisa sobre longevidade animal tem aplicação direta na medicina humana. Genomas da baleia-da-groenlândia e do rato-toupeira-pelado são hoje objeto de estudos sobre câncer e envelhecimento.